CELEBRAÇÃO DO DIA DO FOLCLORE
DATA: 22 de agosto de 2018 (quarta-feira)
LOCAL: PONTO DE CULTURA NORDESTINA
ENDEREÇO: RUA LUIZ GUIMARÃES, 555, POÇO, RECIFE
MAIORES INFORMAÇÕES: (81) 3243-3927

Programação:
16h Abertura da exposição “FOLCLORE: o que as pessoas dizem, sentem e fazem”
16h30min. Apresentação de cantigas de roda por Ana Júlia e Ana Luiza
17h O canto e a dança do Piaxaxá, pelo grupo do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos (SCFV – IDOSO de Itapissuma-PE)
17h30min. Bambambulelê pelo Vocal da UBE (Maestrina Ruby Jean)
18h Microfone aberto para Histórias do Arco da Velha
19h Encerramento

ORIGENS DA PALAVRA
A palavra folclore (folk-lore), criada pelo arqueólogo inglês William John Thoms, foi citada, pela primeira vez, no dia 22 de agosto de 1846, em carta publicada no jornal The Athenaeum de Londres, representando os estudos até então chamados de Antiguidades Populares, Tradições Populares e Literatura Popular, que possuíam, como principais características, a popularidade, a oralidade, o anonimato e a antiguidade. Atualmente, o conceito compreende o estudo da cultura espontânea da sociedade – tudo aquilo que as pessoas dizem, sentem e fazem. O folclore se tornou uma ciência sócio-cultural, que dá conta dos mitos, superstições, contos, fábulas, poesias populares, provérbios, culinária, arte, literatura popular, música, jogos e brincadeiras infantis, danças, entre outros. No Brasil, os estudos atingem nível científico em 1913, quando o linguista e historiador João Ribeiro realizou o Curso de Folclore na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, passando, o folclore, a partir daí, a representar uma das áreas da antropologia cultural. Através de um decreto de 1965 foi instituído o dia 22 de agosto como o Dia do Folclore.

FOLCLORE NORDESTINO
Os hábitos e costumes nordestinos são fruto da miscigenação da população europeia (os portugueses colonizadores), a africana (os escravos) e a ameríndia (os nativos locais). As três raças geraram a população nordestina e todas as suas raízes culturais, criando a associação de praias, jangadas, pescadores, coqueiros, cangaço, e carros-de-boi ao Nordeste. A riqueza do folclore regional inclui, entre outros elementos, o artesanato, as superstições e crendices, a linguagem popular, a literatura de cordel, os cultos, os folguedos populares, a culinária, os brinquedos populares, as artes e técnicas, as festas tradicionais, as adivinhações, os pregões e os remédios populares.

AS QUATRO FESTAS DO ANO

Carnaval
Sua história remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma. A palavra é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne e está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã. O Carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional.

Música e dança: de origem urbana, o frevo surge nas ruas do Recife nos fins do século XIX e começo do século XX e tem origem nas marchas, maxixes e dobrados – as bandas militares do século passado teriam dado sua contribuição na formação do frevo, bem como as quadrilhas de origem europeia. Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano. São três tipos: frevo de rua, frevo canção e frevo de bloco. A sombrinha de frevo é o elemento complementar da dança e o passista a conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias o que, em sua origem, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de tê-la na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.

Blocos: surgiram a partir das reuniões familiares dos bairros de São José, Santo Antônio e Boa Vista, entre outros, como uma extensão dos presépios e ranchos de reis, na década de 20, no Recife. O primeiro bloco fundado foi o Flores Brancas, em 1921, após 2 anos de existência mudou o nome para Bloco das Flores. Sua sede ficava na Praça Sérgio Loreto, na casa do seu fundador Salgado Filho e, como diretor de sua orquestra, Raul Moraes. O Bloco veio proporcionar condições ao elemento feminino de participar do carnaval de rua do Recife, longe de se misturar com a massa acostumada a acompanhar os clubes de frevo. Era formado, geralmente, por moças e senhoras da chamada classe média, que, não podendo participar do carnaval de salão do Clube Recreativo Internacional e do Jóquei Clube, então um privilégio das elites, saíam às ruas protegidas por uma corda, sob severa vigilância de pais, maridos, filhos, genros, noivos, amigos e familiares. Já acostumadas às jornadas dos pastoris, dos presépios e das procissões de queima de lapinhas, o sexo feminino formava, também, o coral do Bloco Carnavalesco, enquanto os homens encarregavam-se da orquestra, bem típicas aos saraus e serenatas de então, formada por violões, violinos, cavaquinho, banjos, bandolins, flautas, clarinetes, contrabaixo, gaitas de boca, pandeiros e percussão. Um apito seguido de um acorde unissonoro de toda a orquestra, anunciava o início da execução da marcha de bloco, com sua introdução instrumental, de andamento frevolento, que se seguia da parte cantada pelo coro de vozes, num andamento bem semelhante ao nosso pastoril.

Maracatu: representa uma oportunidade de reviver momentos das relações de poder entre senhores e escravos, onde o complexo religioso do Xangô também se faz presente. Os grupos levam estandartes exuberantes, bordados com fios dourados sobre veludo e cetim; a nobreza com as suas coroas, espadas, cetros, capas; as damas da corte levam calungas, todos ao som de um conjunto de instrumentos de percussão. A partir da abolição da escravatura, o maracatu passa a fazer parte do ciclo carnavalesco, resumindo-se ao desfile da corte real negra e obedecendo ao estilo das procissões católicas.

Maracatu rural: apresentação folclórica do Carnaval oriunda dos municípios da zona canavieira de Pernambuco. Seus principais personagens são os lanceiros (ou caboclos de lança), os tuxaus, as baianas, um tirador de loas e a orquestra.

Caboclinhos, Cabocolinhos, ou Caboclos: representam um folguedo de origem indígena, que se apresenta em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará. São uma espécie de reisado com bailados mímicos. Tem sua origem em danças executadas por crianças e adolescentes tupinambás do sexo masculino. Foi através desses bailados e brincadeiras que os missionários, no século XVI, conseguiram ganhar a confiança dos índios e, em especial, dos mais jovens. Usam tangas, cocares, braceletes de penas de peru, brincos (feitos de conchas, dentes ou sementes), colares, machadinha, arco-e-flecha, cocares de penas e pintam o corpo com ocre. O grupo possui, no máximo, vinte integrantes. Em som ritmado, todos acionam seus arcos-e-flechas de madeira e dançam ao som de instrumentos indígenas: maracás, reco-recos e pífanos. Quem comanda o grupo é o “caboclo velho”, um adulto que é considerado o rei ou o mestre. Os caboclinhos do Rio Grande do Norte, em particular, são diferentes: não usam penas, seu bailado possui maior vibração e alegria, não utilizam o arco-e-flecha como instrumento de guerra, mas para dar ritmo às danças, e não restringem suas apresentações ao período de Carnaval.

Papangu: segundo contam os moradores mais antigos de Bezerros, a brincadeira começou quando alguns homens quiseram brincar o Carnaval sem serem reconhecidos, para despistar a atenção das esposas. A brincadeira foi pegando e a cada ano aumenta o número de mascarados nas ruas. Durante o desfile pela cidade, os papangus bebem e comem angu de milho, uma comida típica da região. Devido ao exagero no apetite de alguns foliões, originou-se o nome da festa: Papangu. A principal regra desta importante tradição carnavalesca é manter o sigilo sobre as máscaras que serão usadas, para que ninguém venha a ser reconhecido. Lula Vassoureiro não sabe ler ou escrever, mas na Casa de Cultura Popular, que fundou em 1985, é professor dedicado, transmitindo para crianças e adolescentes a arte dos brincantes, ajudando a formar centenas de artesãos em atividade na cidade de Bezerros. Suas máscaras fazem parte da decoração carnavalesca de rua do município que, em 2014, prestou-lhe merecida homenagem. Já rodou o mundo – América do Norte, Europa, Ásia e África – divulgando a tradição dos papangus, e mantém planos para continuar recebendo em sua Casa da Cultura todos aqueles que desejam aprender.

Quaresma (começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, anterior ao Domingo de Páscoa)
Durante os quarenta dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa, os cristãos dedicam-se à reflexão, a conversão espiritual, e se recolhem em oração e penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz. Três pratos são muito tradicionais na Páscoa do Nordeste. O primeiro deles é o quibebe, um tipo de purê de jerimum, consumido na Sexta-feira Santa. O segundo é o arroz de coco (cozido com leite de coco). E o mais emblemático é o feijão de coco, servido em forma de um caldo bem grosso.
Em Brejo da Madre de Deus, na Fazenda Nova – PE, acontece uma representação da Paixão de Cristo que é considerada o maior espetáculo ao ar livre do mundo. São 100 mil m² cercados por uma muralha de pedra de granito de 4 metros de altura, num cenário que é uma reprodução parcial da Jerusalém dos dias de Cristo.

Ciclo junino
O início do ciclo marca o Dia de São José, data em que o milho deve ser plantado para ser colhido após 3 meses, no mês de junho. A origem das comemorações é anterior à era cristã. No hemisfério Norte, várias celebrações pagãs aconteciam durante o solstício de verão. Essa importante data astronômica marca o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que ocorre nos dias 21 ou 22 de junho no hemisfério Norte. Diversos povos da Antiguidade, como os celtas e os egípcios, aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas. Os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses também faziam importantes rituais durante o mês de junho. Apesar de essa época marcar o início do inverno por aqui, eles tinham várias celebrações ligadas à agricultura, com cantos, danças e muita comida. Já a valorização da vida caipira nessas comemorações reflete a organização da sociedade brasileira até meados do século 20, quando 70% da população viviam no campo. A origem dos festejos no Brasil une jesuítas portugueses, costumes indígenas e caipiras, celebrando santos católicos e pratos com alimentos nativos.
Música e dança: forró – dança de pares cuja música foi consagrada pela saudosa dupla de compositores Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

Quadrilha: originária de velhas danças populares de áreas rurais da França (Normandia) e da Inglaterra. Foi introduzida no Brasil, no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. Popularizou-se saindo dos salões palacianos para as ruas e clubes, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática e dando-lhe novas características e nomes regionais. No Sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês, o que deu origem ao matutês, mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina. A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como Olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça e também outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva, o padre, o pai da noiva, o sacristão, o juiz e o delegado. O casamento matuto, hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo. O enredo é quase sempre o mesmo com poucas variantes: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam a noiva a casar. Este se recusa, sendo necessário à intervenção da polícia. O casamento é realizado com o padre e o juiz, sob as garantias do delegado e até de soldados. A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica, satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior. Há, atualmente, uma nova forma de expressão junina, a quadrilha estilizada, que não é uma quadrilha matuta, mas um grupo de dança que tem uma coreografia própria, com passos criados exclusivamente para a música escolhida, como num corpo de balé. O grupo incorpora alguns personagens como Lampião, Maria Bonita, sinhôzinho, espanholas e ciganos, e os trajes lembram roupas típicas do folclore dos pampas gaúchos.

Culinária: comidas à base de milho (canjica, pamonha, munguzá) e massa de mandioca (bolo Souza Leão, bolo pé-de-moleque). É comum ver as pessoas assando milho verde nas fogueiras.
Vestuário e adereços: as pessoas costumam se vestir com tecidos bastante coloridos, as chamadas roupas de matuto: as mulheres, vestindo saias largas, cheias de babados, calçadas com sapatos e meias, enfeitadas com grandes tranças no cabelo que terminam com laços de fita e, por cima, um chapéu de palha; e, os homens, vestindo calças remendadas, camisas coloridas, todos eles enfeitados com bigodes e cavanhaques pintados a carvão, carregando um cachimbo na boca, e também com um chapéu de palha na cabeça.

Comemorações: as festas ocorrem na véspera dos dias 13 (Santo Antônio), 24 (São João) e 28 (São Pedro) de junho. Durante o mês de junho as ruas são enfeitadas com bandeirinhas coloridas (coladas em uma linha e presas nos postes) e são feitos os casamentos na roça e realizados festejos em várias cidades, sendo os mais marcantes os de Campina Grande (Paraíba) e Caruaru e Arcoverde (Pernambuco).

Simpatias: os três santos homenageados em junho – Santo Antônio, São João Batista e São Pedro inspiram não só novenas e rezas, como também várias simpatias. Acredita-se, por exemplo, que os balões levam pedidos para São João. Mas Santo Antônio é o mais requisitado, por seu poder de casar moças solteiras.

Ciclo natalino (24 de dezembro a 6 de janeiro)
Existem vários folguedos natalinos, que fazem referências à noite de festas e ao grande dia em que Jesus nasceu. Desses folguedos, o mais tipicamente natalino é o pastoril religioso. É carregado de magia, gritos, cantigas, forma rudimentar do culto, um rito de cunho teatral, o drama litúrgico ou religioso medieval, que ganha modificações no decorrer dos séculos.

Pastoril: um dos importantes folguedos nordestinos, é representado no período de 23 de dezembro a 6 de janeiro, e consta de bailados, danças, cantos, diálogos, recitativos (em louvor ao nascimento de Jesus), por parte de duas alas: as pastoras do cordão azul e as do cordão encarnado. Elas dançam e cantam: Boa-noite, meus senhores todos/Boa-noite, senhoras também/Somos pastoras/ Pastorinhas belas/ Que alegremente/ Vamos a Belém…
Tudo indica que foi introduzido no século XVI por padres portugueses. Antigamente, era representado apenas junto às igrejas, com o objetivo de entreter aqueles que aguardavam a missa do galo. Hoje, pode-se apreciá-lo em praças públicas e palcos, onde as pastorinhas dançam, geralmente, ao som de um conjunto de pau-e-corda. Mas, em alguns estados nordestinos, o acompanhamento inclui sanfonas e violões, além de um conjunto de sopro e percussão.
Reisado: remonta ao período do Brasil-Colônia, ocorrendo nas festas de Natal e Reis. Seus personagens interpretam os próprios continuadores dos Reis Magos, vindos do Oriente para visitar o Deus Menino. Alguns figurantes do reisado são encontrados, também, no espetáculo do bumba-meu-boi: Mateus, o rei, a rainha, o mestre e o contramestre, o governador, o palhaço, o índio Peri, a sereia, entre outros. Em Alagoas, os componentes dos reisados se apresentam com chapéus ricamente bordados e enfeitados com estrelas, fitas douradas e pequenos espelhos, que funcionam como amuletos para espantar os maus olhados, voltando-se contra quem os desejou. A coreografia é bem simples: os integrantes entabulam galopes, gingados e corrupios, pelas ruas e praças das cidades, enquanto os músicos tocam sanfonas, pandeiros, tambores e zabumbas.

Bumba-meu-boi: uma das representações folclóricas mais importantes do Nordeste, que deve ter sido introduzida no século XVI, período do ciclo econômico do gado. Segundo os estudiosos, apesar de não possuir uma origem africana, o bumba é um espetáculo de negros, onde eles se apresentam conformados com a sua inferioridade social e transformam a sua dor em comicidade – certo homem branco, dono de um boi, vê um homem negro roubar-lhe o animal predileto, com o objetivo de retirar sua língua, porque a sua esposa, que está grávida, deseja comer língua de boi. Em seguida o boi morre e um pajé tenta ressuscitar o animal morto. Um aspecto a ser observado é a ausência de personagens do sexo feminino e a inferioridade com que a mulher é tratada: todos os figurantes são interpretados por travestis. A única exceção é a pastorinha, representada por uma menina ou adolescente (porém, jamais uma mulher).

DANÇAS FOLCLÓRICAS

Coco-de-roda
Dança mestiça surgida em Alagoas, nos tempos coloniais, onde se misturam dois tipos de escravos: africanos e índios. O ritmo é dado por zabumbas, pandeiros e tamborins, mas as mãos representam o mais importante instrumento musical. O coco-de-roda era a dança preferida pelos cangaceiros de Lampião.

Capoeira
Surgiu no Nordeste, trazida pelos escravos africanos. Difundiu-se muito depressa em Salvador, e um pouco no Recife e no Rio de Janeiro. A capoeira é dançada ao som do pandeiro, de cantos, do ritmo de palmas, e especialmente do berimbau, instrumento originário da África, composto de um arco de madeira, com cerca de um metro e meio de comprimento, uma corda de metal, feita de arame, uma caixa de ressonância – uma cabaça cortada e amarrada com cordão -, uma cestinha contendo sementes de caxixi, uma vara pequena de madeira para percutir a corda, e uma moeda pesada. Feito um semicírculo, duas pessoas entram na roda e começam a lutar através de gingas, meneios de corpo, rasteiras, golpes e contragolpes rápidos.

Xaxado
Há controvérsias quanto à sua origem. Segundo o folclorista Roberto Benjamin, o xaxado é originário das regiões do Pajeú e Moxotó (Pernambuco), com evidentes características de culturas indígenas. No entanto, outros afirmam que a dança tem origem em Portugal. Pesquisas indicam que a dança já era conhecida nas regiões do Agreste e Sertão pernambucano desde 1922.
A palavra xaxado é uma onomatopeia do barulho xa-xa-xa, que os dançarinos fazem com as alpercatas arrastadas no chão durante a dança.
A dança é executada em círculo, com os dançarinos em fila indiana, um dançarino atrás do outro, sem volteio, cada participante fazendo três ou quatro movimentos laterais com o pé direito na frente, arrastando o esquerdo, numa espécie de sapateado rápido.

Piaxaxá

Manifestação única e característica da cidade de Itapissuma-PE, transmitida oralmente de geração em geração, o piaxaxá é de origem portuguesa, e foi cantada inicialmente por antigos pescadores portugueses. Até hoje, a dança e o canto são usados em época de atividade marítima, na qual se insere a Buscada de São Gonçalo do Amarante, o santo padroeiro da cidade, no mês de janeiro. O piaxaxá lembra as cantigas de roda, e os seus passos lembram os dos dançarinos portugueses alternando ora para um lado, ora para outro. Traz consigo a herança da música grega, que reunia diversas artes, todas ao mesmo tempo: dança, canto, poesia, e instrumentos musicais, dentro da estética, da harmonia, e da beleza.

ARTESANATO
São produzidos diversos tipos (utilitários, decorativos e lúdicos) – redes e rendas; cestarias; xilogravuras; talhas e esculturas em madeira, entre outros.

Renda: a arte de fazer rendas é uma herança que o europeu deixou no Brasil. As noivas costumavam encomendá-las para o enxoval e, os padres, para os seus paramentos. A confecção de rendas é uma atividade corrente no Nordeste, e a mulher rendeira passou também a ser uma figura típica da região. A renda Renascença é uma técnica têxtil que teve sua origem em Veneza, na Itália, no século XVI, e foi introduzida no Brasil por freiras europeias. O bordado delicado difundiu-se por aqui pelas mãos das rendeiras nordestinas, que passam a arte de geração em geração. No ofício, linha, agulha e lacê bordam e alinham toalhas, lençóis, colchas, fronhas e mantas. As rendas Renascença são famosas pelo estilo de bordado feito exclusivamente à mão, com traços marcantes, em que predominam pontos exclusivos e entrelaçados delicados. Neste traçado, desenhos concêntricos se projetam em linhas sinuosas e divergentes. Tradicionalmente feita em tecido branco, a renda Renascença do Nordeste ganhou versatilidade e passou a ser feita também nas cores preta, marrom café, laranja e azul marinho.
A produção chegou a Pernambuco na década de 1960 e se concentra hoje na região do Agreste, onde mais de 400 rendeiras estão organizadas em associações, que criam os bordados e já exportam para diversos países.

Cerâmica: as primeiras cerâmicas que se tem notícia são da Pré-história: vasos de barro, sem asa, que tinham cor de argila natural ou eram enegrecidas por óxidos de ferro. Nesse estágio de evolução ficou a maioria dos índios brasileiros. A tradição ceramista — ao contrário da renda de bilros e outras práticas artesanais — não chegou com os portugueses ou veio na bagagem cultural dos escravos. Os índios aborígines já tinham firmado a cultura do trabalho em barro quando Cabral aqui aportou. Por isso, os colonizadores portugueses, instalando as primeiras olarias nada de novo trouxeram; mas estruturam e concentraram a mão-de-obra. O rudimentar processo aborígine, no entanto, sofreu modificações com as instalações de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuíticas, onde se produzia além de tijolos e telhas, também louça de barro para consumo diário. Mestre Vitalino retratou no barro a sua terra e a sua gente, expressando seus sentimentos. Sua arte alcança projeções internacionais, afirmando o valor do homem do agreste e divulgando Caruaru, cidade que se fez mais conhecida e amada, através de sua arte.

Xilogravura: técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz, o que possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte adequado. Técnica usada pelos Egípcios e conhecida pelos chineses. Sua exploração se deu na Europa em meados do século XV, quando a xilogravura cumpriu o papel de grande veículo de imagens e textos. A arte da gravura marca e se impõe, substitui o manuscrito e a iluminura, privilégio da nobreza e do clero, abrindo novos caminhos de divulgação e democratização do conhecimento. J. Borges é dono de uma técnica própria de colorir, atende pedidos para representar o cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção; os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino. É considerado um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco. O Memorial J. Borges & Museu da Xilogravura fica no município de Bezerros-PE.

LITERATURA

Poetas populares: Catulo da Paixão Cearense (conhecido no Brasil e exterior), Leandro Gomes de Barros (um dos principais expoentes da arte cordelística brasileira), Antônio Gonçalves da Silva (apelidado Patativa do Assaré, que nasceu e viveu no município de Assaré, no Ceará), o pernambucano José Saturnino dos Santos (conhecido como Andorinha), os paraibanos Sebastião Marinho, Pedro Bandeira (“O Príncipe dos Poetas do Nordeste”) e Zé Limeira (este último, de Taperoá), entre inúmeros talentosos profetas do verso e da viola.

Literatura de cordel: teve início no século XVI, quando o Renascimento passou a popularizar a impressão dos relatos que, pela tradição, eram feitos oralmente pelos trovadores. A tradição desse tipo de publicação vem da Europa. No século XVIII esse tipo de literatura já era comum, e os portugueses a chamavam de literatura de cego, pois em 1789, Dom João V criou uma lei em que era permitido à Irmandade dos homens cegos de Lisboa negociar esse tipo de publicação. No início, a literatura de cordel também tinha peças de teatro, como as que Gil Vicente escrevia. Esta literatura foi introduzida no Brasil pelos portugueses desde o início da colonização.

MITOS E LENDAS

Cumade Fulôzinha
As florestas da Zona da Mata pernambucana têm uma protetora que não brinca em serviço. Também conhecida como Comadre Florzinha, a entidade gosta de fazer pequenas trelas, como trançar crinas e caudas de cavalos, além de abrir porteiras para ver os animais fugirem. Ela também ajuda aqueles que se perdem nas matas e pedem auxílio com humildade. Mas não se engane. Se a intenção do indivíduo for maltratar os animais ou a floresta ela vai assobiar e o som fará com que o sujeito não consiga mais encontrar o caminho de volta para casa. No interior de Pernambuco, acredita-se que a menina realmente existiu e que, depois de um fim trágico, ao ser assassinada pelo próprio pai e enterrada na mata, virou protetora da floresta.

Papa-Figo
Para se curar de uma terrível doença no sangue, um homem de aparência grotesca, dentes amarelos e orelhas pontudas, passava pelas ruas do Recife sequestrando e matando crianças malcriadas para comer-lhes o fígado. Ele atraía as crianças com bombons e para enfim colocá-las dentro de um saco ou de um carro preto. Há versões da lenda que falam sobre ajudantes do homem que, por não aguentar a luz do sol, não conseguia sair para caçá-las sozinho.

Mula-sem-cabeça
Diz a lenda que a mulher que se encontrar romanticamente com um padre será amaldiçoada, se transformando em um monstro. Ela pagará seus pecados virando uma mula (ou burrinha), com cascos afiados, um freio de ferro ao redor de um pescoço em chamas, sem a cabeça. A transformação ocorre nas noites de quinta-feira e só termina quando o dia nasce. Enquanto corre emite sons e gemidos medonhos, de alguém que sofre uma dor aguda. Só para quando vai chegando o alvorecer, quando o galo canta pela terceira vez. Para salvar a moça do encanto é preciso enfrentar a assombração de peito aberto e tirar o ferro que aperta seu pescoço.

ACERVO POPULAR

Os amoladores de tesouras e de facas, que anunciam os seus serviços pelas ruas; os vendedores de algodão-doce, cavaquinho, japonês, vassouras, cuscuz, colheres-de-pau; a culinária, o artesanato, os cantadores de viola, os maracatus, reisados e pastoris, enfim, tudo e todos que, sem qualquer intencionalidade, continuam mantendo os hábitos e costumes do Nordeste, preservando e enriquecendo a cultura popular dessa região do Brasil.

FONTES: Fundação Joaquim Nabuco, Revista Superinteressante, Uninassau.

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